No Verão de 2011, tinha as malas preparadas para emigrar, três dias antes de partir fui convidado para trabalhar em Barcelos como professor de fotografia. Aceitei. Este é um de muitos acasos, que desde a infância me ligam a esta zona do país e o incentivo com a força necessária, para iniciar um projecto pessoal onde tentasse compreender uma ligação (ancestral) “fantasma” a esta região.
O projecto “Férias Grandes”, é composto por uma série de imagens realizadas entre 2011 e 2016, com perímetro delineado entre Porto, Barcelos e Ofir. Subjacente a uma ideia de circulação errante entre as linhas que formam este triângulo geográfico, e à súmula dos inúmeros percursos alternativos compreendidos entre estas povoações; a rotina fotográfica surge como consequência natural desta deriva trôpega pelo quotidiano. Materializando-se numa prática contínua de mapeamento de “território”. O tempo inscreve-se entre os vagões de uma linha que agrega estes lugares, numa relação idiossincrásica, onde passado e presente afluem anacronicamente, abreviados pelo eclosão de centenas de quilómetros de estrada. É com base nestes trajectos diários, que o corpo se incrusta gradualmente nas paisagens compreendidas entra a partida e o destino, com o vigor de quem sublinha ininterruptamente um texto que já conhece de cor, enunciando na recidiva de cada passagem a matriz triangular que lhe é imanente: Porto/Barcelos/Ofir.
Férias Grandes, box container with a hardcover photobook w/ dust jacket, 14,5x20cm, 52 pages, 50 images, digital print /// diary w/ dust jacket, 14,5x20cm, 63 pages, digital print /// HD vídeo, 14mins 08 secs /// Self published